Baleia Comum e Mais de 100 Golfinhos

Há dias no mar que mudam para sempre a forma como olhamos para a costa. Durante um dos nossos passeios de barco ao largo de Lisboa, a equipa da SeaEO-Tours encontrou uma baleia-comum, o segundo maior animal do planeta, a deslocar-se entre uma grande agregação de golfinhos junto à foz do Estuário do Tejo. O momento foi filmado e documentado pela nossa equipa e, posteriormente, a história foi publicada pelo Observador (24 de julho de 2023). As redes sociais ajudaram, depois, a levar este acontecimento a milhares de pessoas. Para quem tem curiosidade pela observação de golfinhos em Lisboa, este não foi apenas um título de notícia. Foi uma demonstração real de como a riqueza do nosso ecossistema proporciona e cria momentos de verdadeiro deslumbramento.

Porque é que uma Baleia-Comum e Tantos Golfinhos se Encontraram ao Largo de Lisboa

O encontro em resumo

No Atlântico, mesmo para além da foz do rio, a nossa equipa avistou primeiro um sopro elegante e, logo depois, o perfil alongado de uma baleia-comum (Balaenoptera physalus), acompanhada por um grupo de golfinhos-comuns (Delphinus delphis) em rápido deslocamento. Os golfinhos estavam ativamente a alimentar-se, realizando mudanças de direção apertadas, mergulhos curtos e movimentos coordenados, enquanto aves marinhas circulavam por cima. Estes são sinais clássicos de uma elevada concentração de peixes-presa, geralmente sardinhas ou anchovas. Agrupamentos de diferentes espécies como este são totalmente naturais quando o “motor” do oceano entra em ação.

Grupos Mistos de Espécies – o que está a acontecer?

Os biólogos marinhos chamam a estas alianças temporárias grupos mistos de espécies. Estes grupos são observados quando diferentes espécies partilham a mesma zona de caça quer seja porque procuram o mesmo alimento ou porque utilizam as mesmas características oceânicas (frentes, filamentos de afloramento e quebras de plataforma). Os golfinhos têm a capacidade de juntar cardumes, empurrando o peixe-presa para massas densas; uma baleia-comum, que avança com um enorme “golpe de alimentação”, pode beneficiar dessa concentração.

O motor do oceano: afloramento costeiro, canhão submarino e pluma do Tejo

Lisboa está situada numa zona costeira extraordinariamente dinâmica. Durante a primavera e o verão, o afloramento costeiro impulsiona o crescimento do fitoplâncton (organismos microscópicos semelhantes a plantas) e do zooplâncton (pequenos animais que derivam na água). Estes organismos servem de alimento a peixes pelágicos de pequena dimensão, que por sua vez atraem golfinhos e baleias.
A isto junta-se o Canhão Submarino de Lisboa, cuja topografia acentuada concentra e retém biomassa, bem como a pluma do Estuário do Tejo, que cria frentes oceânicas onde diferentes massas de água se encontram. Estas frentes funcionam como verdadeiros pontos de encontro biológicos. A olho nu, poderá notar-se uma linha lisa na superfície ou uma alteração na cor da água; para a vida marinha, trata-se de uma zona de alimentação extremamente importante.

Conceitos explicados:

  • Afloramento: processo impulsionado pelo vento que traz à superfície água fria profunda rica em nutrientes.
  • Frente: fronteira entre diferentes massas de água onde o peixe-presa se concentra frequentemente.
  • Baleia de barbas: baleia que filtra pequenas presas através de placas de barbas em vez de dentes (baleia-comum, baleia-azul, baleia-jubarte).

Baleia-comum – velocidade, tamanho e subtileza

As baleias-comuns podem atingir entre 24 e 26 metros de comprimento no Atlântico Norte, mas mesmo os indivíduos juvenis, com cerca de 15 metros, são impressionantes, elegantes e rápidos, sendo por vezes apelidados de “galgos do mar”. Alimentam-se através de um método de filtração por investida, acelerando em direção a concentrações densas de presas e filtrando a água através das suas barbas. A sua presença ao largo de Lisboa não é garantida, mas também não acontece por acaso: quando a produtividade do oceano aumenta, estes grandes rorquais seguem as áreas com maior disponibilidade de alimento ao longo da margem ibérica.

A nossa prioridade no mar é o respeito — manter distância, reduzir a velocidade e permitir que o comportamento natural aconteça. Assim é que os encontros se tornam significativos e sustentáveis.Sidónio Paes, biólogo marinho da SeaEO-Tours

O Que Este Encontro Significa para a Observação de Golfinhos em Lisboa

Para visitantes e locais, a observação de golfinhos em Lisboa é mais do que uma experiência turística: é uma oportunidade para “ler” os sinais do oceano. Procure alcatrazes e cagarros a mergulhar, observe os “footprints” (marcas suaves ovais) deixados pelas barbatanas caudais dos cetáceos à superfície, e ouça o sopro explosivo que denuncia uma baleia muito antes de vermos o corpo.

  1. A costa de Lisboa está viva. O Estuário do Tejo e o Atlântico próximo criam um verdadeiro corredor de biodiversidade.
  2. A observação responsável é fundamental. Aproximar-se devagar, manter distâncias adequadas e evitar cercos apertados reduz o stress nos animais e preserva comportamentos naturais de alimentação e socialização.

Na SeaEO-Tours, a nossa equipa, maioritariamente composta por biólogos marinhos, segue rigorosos códigos de conduta: limites de velocidade na proximidade da vida selvagem, ângulos de aproximação que permitem aos animais escolher o seu espaço e uma observação tranquila e não intrusiva. Este respeito resulta frequentemente em melhores encontros com a vida marinha. Quando os animais se sentem seguros, são eles próprios que se aproximam.

Camadas Locais: Estuário do Tejo & Janelas Sazonais

O Estuário do Tejo, um dos maiores da Europa, funciona como uma área de crescimento para muitas espécies de peixes e como uma zona de paragem e alimentação para aves marinhas. As janelas sazonais, especialmente entre o final da primavera e o verão, trazem um afloramento costeiro mais intenso e condições meteorológicas mais estáveis, aumentando as probabilidades de avistamentos. Ainda assim, é o oceano que dita o seu próprio ritmo. Parte do encanto da observação de golfinhos em Lisboa está em aceitar essa incerteza e ser recompensado quando o mar revela algo verdadeiramente extraordinário.

De Regresso à Costa

O nosso encontro com a baleia-comum e os golfinhos pertence, antes de mais, ao oceano e só depois às nossas memórias. Estamos gratos por o Observador ter ajudado a divulgar esta história, porque momentos como este despertam curiosidade e promovem uma maior consciência sobre a natureza. E essa é a nossa missão: aproximar as pessoas da vida selvagem de forma responsável, respeitosa e com o olhar atento de um cientista. Da próxima vez que se juntar a nós para um passeio de observação de golfinhos em Lisboa, saberá que uma nova história do oceano pode estar a acontecer mesmo ali, para além da foz do Tejo.

Convidamos a juntar-se a nós numa das nossas aventuras marítimas, onde poderá testemunhar de perto as maravilhas do oceano. Quer seja um apaixonado pela natureza ou apenas alguém curioso pelo mar, a nossa equipa está preparada para o acompanhar com conhecimento, entusiasmo e um profundo respeito pelo mundo marinho.

Para ler o artigo completo do Observador sobre este avistamento de baleia-comum, visite: Uma baleia-comum foi avistada ao largo de Lisboa, mas não estava sozinha. Nadava com centenas de golfinhos. .

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